domingo, 8 de janeiro de 2012

Pedra





Estava naquela pedra mais alta, finalmente sozinha, em paz consigo mesma. Lá, ninguém me incomodava, ninguém chega perto, e eu podia finalmente entender o que estava acontecendo comigo, com meus pensamentos, com meus sentimentos. Era uma situação que já fugia do meu controle há muito tempo. A situação, mas não a minha capacidade de evitar demonstrações desnecessárias de afetos ou sentimentos. Capacidade essa que havia tornado a minha vida muito mais simples em muitos aspectos, mas que ia contra o que eu sentia. Mas afinal,  não valia a pena confiar em quem não valia a pena. Cada demonstração de sentimento era usada como arma para me atingir. Quando parei de demonstrar, tiveram cada vez menos armas para me atingir.
Nunca entendi porque cheguei até a pedra, mas lá de cima, olhando o mar, tudo parecia mais calmo, mais simples. Não que as coisas começassem a fazer sentido. Mas eu simplesmente na me importava com a resolução ou não das situações. Nada era mais importante do que a sintonia que eu percebia naquele momento, a pedra e o mar, coexistindo em uma harmonia que me espantava. O mar oscilando entre a calma e a violência,acariciava e ao mesmo tempo atacava, e a pedra ali, completamente estável se protegia, mas ao mesmo tempo se entregava ao mar. Essas duas energias tão diferentes, se completavam, coexistiam e supriam com seus excessos a falta uma da outra.