sábado, 29 de janeiro de 2011

Ela estava mal, mas não queria falar com ninguém.
Ninguém precisava saber pelo que ela havia passado, as lágrimas que havia chorado, como sentiu uma dor tão forte na alma, que sentiu como se estivesse rasgando, quebrando em vários pedaços.
Ela tentava, cada vez mais livrar-se das lembranças que ainda lhe doíam tanto, mas parecia cada vez mais difícil.
Ela sabia que coisas boas continuavam acontecendo ao seu redor, e ela se alegrava com esses acontecimentos, mas nos momentos em que ela estava mais frágil, a dor voltava.
Daquele mesmo modo avassalador de sempre.
Haveria alguma esperança para ela nesse mundo?
Existiria alguém capaz de passar por toda a carapaça que ela colocara ao redor de seu coração, de seus sentimentos, e mostrar que ainda vale a pena acreditar nas pessoas, criar laços que não precisariam ser rompidos com a menor mudança?
Ou ela continuaria nessa vida de cigana, sem criar laços nem fixar raízes, deixando um pedaço de sua alma em cada parte do mundo?
Seria esse seu destino?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



E nesses dias de calor, quando ela era puxada de volta para a realidade que a cercava...
Só tinha um pensamento em sua mente:
"Ah, se eu estivesse numa praia....."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011



Nunca imaginei que as coisas acabariam assim. Nunca imaginei que eu sentiria tanto a sua falta. Quer dizer, sempre tive um certo apego contigo, e acho que eu até te amava, porque é a única explicação para eu estar sentindo tanto a tua falta.

Quando meus avós morreram a senhora ficou sendo como uma avó pra mim, que me mimava, e sentia orgulho de mim. Era sempre muito bom estar do seu lado, ouvir as histórias e tudo mais. E quando eu passei no vestibular quem mais ficou feliz foi a senhora, uma das únicas a acreditar em mim, mais do que eu mesma.
E no final das contas, não pode ver nenhuma apresentação minha.

Tem idéia de como isso ainda me dói? De como eu queria o teu abraço no final da apresentação, de ver o orgulho brilhando no teu olho, assim como eu vi nos olhos do meu pai? E de como em casa apresentação que eu vou eu peço a Deus que a senhora esteja me vendo, e que esteja orgulhosa de mim?

Eu não entendo, o porque de eu sentir tanta tristeza ainda, porque na realidade, não tem um motivo concreto. Eu nunca te vi realmente como mãe, era mais como uma avó, mas não era o mesmo amor que eu sentia pelos meus avós. Não sei explicar, é diferente.

Você sempre foi pra mim um exemplo, tanto de vida como de fé, seus mentores eram praticamente meus(e de toda uma família) também. Quando sentia medo, rezava para eles, mesmo não querendo admitir que eu rezava. Porque eu não sabia em quê acreditar, em quem acreditar. Mas quando eu consigo ver que realmente  tenho uma fé, a senhora parte, naquele veleiro que não volta mais. Para um outro lado onde um dia vamos nos encontrar. E deixou sua família, porque assim é a ordem da vida. Eu acabei deixando eles também, no início contra a minha vontade mas... agora eu vejo que eu tinha que ir mesmo.

E agora, eu tento seguir em frente, mas nenhum dos lugares que eu vá,vai ser do mesmo jeito que era na sua 'casa'. Eu quero continuar, só que eu sinto medo.

Só que é um medo sem sentido, porque mesmo na sua 'casa' eu não me sentia segura. Não tem fundamento isso. No lugar para onde eu vou, as coisas não são feitas da mesma maneira correta e perfeita como a senhora fazia, mas eu me sinto bem lá. Lá me falam o que está acontecendo comigo, e me dizem o que eu tenho que melhorar.

Só que não é a mesma coisa. Nunca vai ser.A cada dia que eu vou nessa nova casa, eu sinto falta de alguma coisa, é como se estivesse um pedaço de mim faltando. É que, repetindo: Não é a mesma coisa.

Assim como a minha vida não tem sido a mesma depois que a senhora partiu. Porque mesmo sem motivos, eu sinto a tua falta, Dona Dilma, Mãe Dilma.

E um dia agente se encontra.